domingo, 26 de julho de 2009

Análise do livro A ordem do Discurso, de Michel Foucault



A ordem do Discurso é uma obra que reproduz a aula inaugural ministrada por Michel Foucault quando assumiu a cátreda vacante no collège de France após a morte de Hyppolite. A aula foi pronunciada em dezembro de 1970.
Pode-se, basicamente, dividir a obra de Foucault em duas partes, sendo que, ao menos na segunda, haverá subdivisões que se entrelaçarão.
Na primeira, o autor apresentará suas angústias, suas inquietações e acaba por tentar, de fato, iniciar o discurso indesejado por ele, mas que deverá ser ordinariamente pronunciado.
Na segunda, Foucault apresentará os conceitos referentes ao discurso e explanará a circulação desse na sociedade.
Desenvolvendo a primeira parte, o autor diz preferir estar na condição de ouvinte a ter de introduzir a palavra e passar à condição daquele que promoverá o discurso, quão grande era seu medo de fazê-lo. Mas, como ele mesmo fala, Foucault está sob uma ordem, portanto, deverá cumpri-la. Tem-se, aqui, o objeto de desejo do autor, visto que o não enunciar do discurso implicará à quebra de regras.
Quanto à segunda parte, pode-se fazer mais do que subdivisões. Duas novas divisões podem ser feitas: a concernente aos elementos externos e a que se refere aos elementos internos do discurso. A parte que se segue tratará de inferências quanto àquela.
Nessa parte, vários procedimentos de exclusão serão tratados por Foucault. É o caso, por exemplo, da interdição, cuja função é delimitar o que será falado pelo sujeito que se apodera do discurso. Há palavras que precisam ser interditadas para não serem ditas em locais socialmente inapropriados. Cair-se-á, desse modo, no “tabu do objeto, ritual da circunstância, direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala”. Trata-se, pois, de discursos concernentes à sexualidade, à religião e à política.
Outro princípio de exclusão sobre o qual Foucault discorre é a separação. É necessário, aqui, dispor uma oposição entre razão e loucura para se entender tal conceito. A palavra daquele considerado louco não é levada em conta, não é ouvida; se ouvida, é tratada com desdém. Portanto, o discurso do louco será segregado daquele considerado racional. O louco, para Foucault, será aquele cujo discurso fugirá dos parâmetros discursivos da sociedade; será aquele cuja palavra difere da vontade de verdade.
Peguemos, agora, o último conceito de loucura supracitado. Nele encontrar-se-á outro mecanismo de exclusão relatado por Foucault: vontade de verdade. Visto que toda verdade é substancialmente relativa e passiva de contradição, dependerá daquilo que se acredita em dado momento histórico, do modelo político e social que se tem.
Sendo assim, será, pois, oposição à verdade aquilo em que não se acredita. Um discurso cujas bases estejam apoiadas no que a maioria acredita, será necessariamente verdade.
Até aqui, Foucault tratou de procedimentos de exclusão que vêm da sociedade e se alojam no discurso. São, pois, mecanismos externos.
Agora, o que será apresentado diz respeito a elementos internos do discurso e que encerram também métodos de exclusão.
O primeiro deles é o comentário, o qual corresponde a dois novos princípios: aquilo que é falado cotidianamente e a palavra que se transforma em texto.
A partir disso, Foucault traça um novo princípio – o de deslocamento. Isso quer dizer que um discurso feito no dia-a-dia pode ser transformado em um texto. A troca de lugares é recíproca, pois um comentário pode perfeitamente alocar-se em um texto e um texto se comportar como referência de um comentário. Uma parte dos discursos é perpetuada, o que mostra o desnivelamento de grande parte dos discursos. É o caso dos textos religiosos e dos jurídicos.
Imbricado a esse conceito e princípios, está a ideia de textos primeiro e segundo. De acordo com esse autor, aquele é o que dá origem a outros e esse é o que surge a partir de um discurso existente. A relação de troca entre os dois é tão intensa que é impossível apontar um texto, palavra ou até mesmo discurso que seja genuíno.
O autor, outro elemento interno do discurso, é definido por Foucault como o responsável por agrupar os diversos discursos. Ele não é o ser criador de uma obra, mas aquele que junta várias ideias e as formaliza. Os discursos são reunidos pelo autor consoante ao que ele pensa e ao modelo normativo vigente, pois “o novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta”.
Oposição aos dois procedimentos já citados, as disciplinas, segundo Foucault, correspondem a um conjunto de conhecimentos, de métodos, de objeto e de proposições. A formação delas sempre tem base comum, já que as novas ideias que surgem sempre são formuladas a partir de ideias já existentes. Essa parte deixa clara a oposição entre a disciplina e o comentário. Quanto à disparidade entre autor e disciplina, Foucault mostra que isso fica comprovado quando constatamos que autor é apenas um nome reunidor de vário discursos, já a disciplina não se prende a um único nome. A junção dos conhecimentos é dada por vários autores, desde que esses conhecimentos estejam inscritos no verdadeiro do discurso e contem com a outorga da disciplina. Eis porque “A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso”.
Nesse ponto, Foucault faz a junção dos dois grupos de procedimentos de exclusão: elementos internos e externos do discurso. O resultado disso é o ritual responsável por promover o controle do discurso. É ele também que dita as regras para que uma pessoa chegue a ser considerada qualificada para tomar o discurso.
Um novo ponto discutido por Foucault é a doutrina. Esta tem uma tendência de se difundir e se perpetuar. Todavia, limita o grupo participante a ela mesma. Isto é, quem faz parte de uma determinada doutrina não pode participar de outra. “A doutrina liga os indivíduos a certos tipos de enunciação e lhes proíbe, consequentemente, todos os outros”.
Por fim, Foucault menciona as apropriações sociais. Para elucidar, ele fala sobre o sistema educacional e diz: “O que é afinal um sistema de ensino senão uma ritualização da palavra;”. A inferência óbvia que se faz dessa citação é que a instituição normatiza aquilo que se deve ou não ser ensinado nas escolas. Logo, o direito de se incluir à palavra obedece a certos procedimentos que não devem ser contrariados.
É desse modo que Foucault, na obra A ordem do discurso, mostra que, desde sempre, nas diferentes sociedades, o discurso segue uma ordem, está sob uma lei. O fato de se obedecer ou não a ela corresponde, obrigatoriamente, a vários procedimentos de exclusão e rarefação do discurso.
Destarte, após Foucault discursar sobre os elementos internos e externos do discurso, ele faz um levantamento sobre os aspectos filosóficos e metodológicos, de modo a mencionar os autores nos quais ele se inspirou para realizar seu discurso, terminado, assim, seu discurso, agradecendo aos que proporcionaram a realização de sua aula.
Vê-se, assim, que os escritos de Foucault trazem grandes contribuições para o estudo da análise do discurso. Mais do que isso, serve como base de reflexão sobre o lugar que devemos tomar no discurso; por qual discurso devemos realmente nos interessar; que preço estamos dispostos a pagar para defendê-lo. Enquanto existir uma sociedade reguladora, seremos sempre sujeitos do discurso e responsáveis pelos seus frutos.



Nota

Caros leitores, decidi publicar meus trabalhos acadêmicos, com a finalidade de ajudar colegas que buscam alguma base para realizar seus trabalhos de faculdade. Lembro-me de que quando precisei, poucas coisas encontrei. Espero que lhes sirvam.
"As pessoas sentem minha escrita como uma agressão; elas sentem que existe nela alguma coisa que as condena à morte; eu não as condeno à morte, simplesmente suponho que já estejam mortas"
Michel Foucault.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A descoberta



Antes de tudo, gostaria que desprezassem a sintaxe e a ortografia desse rascunho. Meu desejo é de desabafar, mesmo que "errado".
Pensei tanto sobre a terrível questão que levantei no escrito anterior e cheguei a uma conclusão talvez não a correta, mas cheguei. Descobri que estou em um mundo em processo de integração- em vários âmbitos- que desfruta de inumeráveis conquistas, entre as quais, uma peculiar a que os homens, orgulhosamente, chamam-na de globalização. Mais que isso, estou vivendo no apogeu da era digital, tecnológica, na qual muitos, entre os quais eu, resiste, ingloriosamente, ao inevitável: aceitar que a sociedade a cada dia torna-se mais individualista e que o livre arbítrio morre na mais remota pretensão de existir. Aí, meus caros, vêm as indagações:
Até que ponto essa era é integradora? Sinceramente, não sei.
É justo isolar aqueles que não têm acesso a essas tecnologias? Digo-lhes que não. Infelizmente não posso gritar à escrita. Se pudesse, gritaria e acentuaria bem esse "não". Carregaria nele toda espécie de apelo, toda sorte de revolta. Não posso, não é? Não posso porque não me deixam falar, se tento, calam-me. Morre em mim, antes mesmo de nascer, qualquer chance, qualquer esperança de o não calar. Calá-lo, apenas. Mas... Por que tanto não, que, aparentemente, não tem nexo e não quer dizer nada? Cabe ele, o não, nesse contexto? Se puderem creiam que ele é proposital, pois é exatamente a resposta que a muitos a tal sociedade moderna profere- NÃO! Talvez até aqui ainda, vós, não me considereis um monstro, mas não perdereis a chance de assim considerar-me quando da leitura do último parágrafo. Lá vai:
Finalmente descobri que não sou livre nem para pensar nem para agir da maneira como gostaria. Aos simples mortais não foi outorgado o direito de desfrutar, de possuir liberdade. Resta-me apenas enganar-me com a utopia dela.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Onde estou?




Talvez daqui a pouco eu descubra onde estou. Por hora, o que sei é que estou na frente de um bicho chamado computador, no qual tento, muito lentamente, digitar alguma coisa (catando milho) para constar nessa página. Prometo que terei mais tempo da próxima vez, e tentarei escrever alguma coisa mais interessante. Agora tenho que ir, acabou meu tempo. Ah! ainda não descubri onde estou. Penso que sou alienígena.